Parque Oziel - A história de uma ocupação

História

O Parque Oziel, Jardim Monte Cristo e Gleba B são bairros nos quais em 1.500.000 m2 moram, hoje em dia, 3.000 famílias, perfazendo 30.000 moradores. Com isto esses bairros representam uma das maiores ocupações urbanas da América Latina. Em 1997 começou aqui a ocupação realizada sobretudo pelos membros do “Movimento dos Sem Teto”, atrás destes simples dados aparece uma história emocionante cheia de esperanças e sonhos contrapondo-se à de uma dura realidade às margens da cidade de Campinas.

No contexto de entrevistas e conversas temos testemunhos de alguns dos participantes desta história. Nestas narrativas os fatos são revividos e a luta para uma moradia digna e uma vida saltaram aos nosso olhos. Agradecemos as pessoas que nos contaram a história do seu bairro a partir de sua perspectiva.

Porque o bairro se chama Oziel

É uma homenagem ao Jovem Oziel, sugerida por três pessoas que participaram deste movimento: o primeiro líder da ocupação, o Paraíba, o Padre Nelson e o Deputado Estadual, Tiãozinho.

A história do jovem Oziel foi conhecida através dos meios de comunicação do Brasil. Transcrevemos, a seguir, uma publicação que conta a sua história:

Porque marcharemos a Brasília

João Pedro Stedile

No dia 17 de abril de 1996, dois pelotões da Polícia Militar do Pará, com 200 soldados cada um, recebeu ordens para cercar um acampamento de sem-terra na curva do S, município de Eldorado de Carajás, e dar uma lição aos "vagabundos" que insistiam em querer trabalhar na terra. Cada pelotão saiu preparado de seu quartel em Parauapebas e Marabá. Sem identificação na farda. Sem registro de armas e munição. Eram ordens superiores. Governava a província do Pará o senhor Almir Gabriel, governava a colônia Brasil o procônsul americano e príncipe dos sociólogos Fernando Henrique Cardoso. Depois de algumas horas, o massacre: dezenove sem-terra assassinados. Um deles, o jovem Oziel da Silva, com apenas 18 anos e líder do acampamento, foi preso, imobilizado, e assassinado a coronhadas na frente de todos os soldados exigindo que ainda gritasse: “Viva o MST!” Outros 69 ficaram gravemente feridos, e até hoje padecem seqüelas que os inutilizaram para o trabalho agrícola.

(Fonte: Revista Caros Amigos - Abril/2005)

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