Nas entrevistas pessoais o enfoque foi o das lembranças individuais e dos eventos específicos da vida biográfica de cada um. Quais são as experiências dos moradores deste bairro até hoje, quais foram as etapas mais marcantes dos homens que se encontraram aqui nos últimos 8 anos?
Estas histórias de vida podem ser um motivo de refletir sobre a própria história de vida e reencontrar-se a si mesmo, assim como, talvez, uma forma de conquistar a força necessária para continuar a busca de soluções e de concretizar as tarefas, problemas e objetivos do futuro.
Por isso vimos em cada história de cada um dos moradores, uma das peças do imenso quebra-cabeça que formam os bairros Parque Oziel, Jardim Monte Cristo e Gleba B. Cada um dos moradores é um pedaço dessa história que amalgamada com a dos outros criou a imagem de uma sociedade melhor dentro das circunstâncias que viviam os moradores atuais.
O Sr. Manoel, no alto dos seus 73 anos, conta sobre sua chegada a Campinas. Veio para trabalhar nas indústrias Matarazzo e depois na Singer. Mora, ainda irregularmente, há 14 anos no Jd. do Lago, bairro limítrofe com o Parque Oziel, em um espaço aonde ambos se confundem. Antes de chegar a Campinas, Manoel morou na Amazônia por seis anos e em vários lugares do Norte e Nordeste.
Teve a oportunidade de conhecer o Paraguai, o Peru e outros países latinos quando trabalhou a bordo de um navio. Com orgulho afirma que trabalhou na cozinha do navio “Raul Soares”. Para ele, não saber ler e escrever, não o impediram de situar-se na cidade. Conheço Campinas inteira, pois por muitos anos entreguei jornal de bicicleta. Entende que a ocupação melhorou muito essa região, pois trouxe consigo melhorias para o lugar, como mercados, escola, atendimento de saúde, dentre outros. Considera que, “Terreno vazio não tem produção”
Ao narrar sobre as pessoas do bairro, reafirma a importância de seu colega Canário, considerando-o “gente fina”, pois, segundo ele, Trabalha até debaixo de chuva pelo bairro. Na época das eleições para a escolha dos vereadores, em Campinas, Canário era candidato à Câmara de Vereadores. A quantidade de votos não foi suficiente para sua eleição, o que muito entristeceu o sr. Manoel que afirmou: Minha família toda votou no Canário, não sei porque ele não ganhou... Via no Canário uma possibilidade de um político atuante, já que os outros políticos só vêm em época de eleição procurar voto junto à população.
Sr. Manoel utiliza mais o Centro de Saúde do Jardim São José do que o Posto de Saúde do seu bairro, pois o Centro de Saúde possui mais recursos para um atendimento mais global, como por exemplo, internação, caso seja necessário. Ao avaliar sobre quais seriam os problemas a serem atacados no bairro, destaca que a tubulação de esgotos é muito necessária para a melhoria das condições de vida dos moradores. Manoel não considera que o bairro possui um alto nível de criminal idade e não tem medo de morar no Parque Oziel. A convivência é tranqüila e nem sempre os próprios moradores sabem que seriam as pessoas que usam de formas ilícitas para viver: os bandidos se misturam com a gente e não sabemos quem ele é.
Enfim, Sr. Manoel sente-se bem morando no Parque Oziel e a sua experiência de vida é uma referência para muitas pessoas que o conhecem.
Geigiane tem 15 anos e estuda na 8 a. série da escola municipal “Oziel Alves Pereira”, das 15 às 19 horas. Ela gosta da vida no Parque Oziel. Conta que no bairro, havia muitos “nãos”: não tinha aula de dançar, não tinha uma escola própria para estudar. Antes, eram containeres abafados, com temperaturas de até 40 graus. Com a nova escola, agora ela pode praticar várias atividades novas. Além disso, o que ela mais gosta de fazer é participar do grupo de dança e treinar vôlei, como parte do projeto PAF.
Quando ela não está participando do projeto, ajuda em casa, estuda ou lê livros. Assim, a vida dela está muito diferente de antigamente, quando ela ficava em casa e não saía. Com essas novidades ela sai com as amigas, elas conversam bastante e gostam de ir ao shopping e outros lugares distantes. Ela acha que tem boas amizades, mas que algumas deveriam ser melhores: “Tem uns que vão para mau caminho querem levar os outros juntos”.
Para o futuro do Parque Oziel, ela gostaria que o bairro melhorasse cada vez mais. Por exemplo: asfalto nas ruas, saneamento e casas melhores. Geigiane não conhece a comunidade de moradores, mas acha que a ela tem feito um bom trabalho.