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Greenaway's Books diretor inglês redefine o cinema por F. Fischl |
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"A noble Neapolitan, Gonzalo, (...) ... esta é a única citação que o Prospero
de Shakespeare faz a respeito de seus livros na peça de 1611.
Mas para o Prospero de Greenaway, os livros valem mais que a vida.
O filme gira em torno da exposição de sua coleção
de 24 volumes, onde temos em ação paralela o desenvolvimento
da peça de Shakespeare que ocorre simultaneamente, e por vezes
até sobreposta, a imagens do personagem de John Gielgud escrevendo
e recitando todas as falas e ações da própria
história. Assim, Prospero é Greenaway, que apresenta
sua própria visão da peça a medida em que a relata.
Vemos na tela a projeção do imaginário de Greenaway
construído por sua complexa leitura da obra. Prospero's Books não é adequado para quem deseja assistir a uma simples representação de The Tempest, na realidade não é sequer indicado para quem não conhece a peça e apenas pretende estudar a intrincada linguagem multimedia do diretor. Trata-se de uma obra que como ressaltou o crítico americano Roger Ebert, não pode ser definida como um filme no sentido que aplicamos a palavra. Os projetos de Greenaway não se limitam ou tomam por finalidade a película, sua formação de artista plástico lhe atribui uma atitude extremamente abrangente com relação a arte. Para breve em Wezine, leiam mais sobre seu filme, The Tulse Luper
Suitcase, que só pode ser compreendido, com o auxílio
de um CD-ROM, um vídeo, um livro e visitas diárias a
seu Web Site que traz informações atualizadas sobre
o projeto. Assim como em Prospero's Books, é "Na base,
um filme, mas logo uma soma de tecnologias e suportes para projetar
o espectador atual além de 2001" (Merten, Luiz "Peter
Greenaway antecipa o próximo milênio" em O Estado
de SP, 5 de junho de 1999). Fotografado em cinema contando com o auxílio do vídeo e finalizado com recursos de computação gráfica, em Prospero´s Books, por vezes a movimentação cênica lembra um balé, em outras cenas vemos desenhos que são emoldurados por tarjas em movimento que nos remetem a um quadro barroco. Às falas dos personagens são somados efeitos de eco, mixados a partir voz de Gielgud. Desta forma em nenhum momento temos a simples apresentação de uma peça de teatro filmada. A literatura se faz dominante, quando os livros são mostrados
com enorme detalhismo em sua tipografia, caligrafia e ilustrações
extremamente ricas. Estas cenas são sobrepostas a imagens da
ação transcorrendo ou de John Gielgud narrando-as. Em
certos momentos, a overdose de informações chega a justapor
seis elementos distintos construindo a cena. Emoldurando a tela, sempre
temos imagens que se metamorfoseiam, ou caracteres descritivos. A
utilização de novas técnicas faz com que Greenaway
construa e destrua cenas, sobreponha, complete e transforme imagens
diante de nossos olhos. As mais modernas tecnologias passam a trabalhar
associadas à narrativa e não a pretensão de realismo
presente no cinema comercial. Greenaway não acredita que o
cinema tenha a mera função de entreter, rompendo uma
consolidada linguagem, "ele pressupõe uma arte de relação,
de sentido, e não simplesmente do olhar e da ilusão."
(Arlindo Machado em Folha de SP).
F.
Fischl é Bacharel em Comunicação Audiovisual
pela Univ. Federal de São Carlos |
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