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Nossa poesia é burra e me cansa por Fabio de Riggi Lá pelas tantas de seu laboratório poético (Poesia-Experiência, Perspectiva, 1976), Mário Faustino escrevia: “O Sr. Carlos Drummond de Andrade só age poeticamente nos poemas que publica. Não escreve a sério sobre poesia. Não faz crítica séria de livros de poesia. Ao que saibamos, não discute a sério poesia, nem oralmente nem por escrito. Cala-se. Não manifesta grande interesse pelo progresso da Poesia.” Pois bem, que falta nos faz o sr. Faustino que, se estivesse vivo hoje, certamente enfartaria ao contemplar o cenário arroz japonês de nossa poesia. Pouco podemos falar de um Fernando Paixão, que vem silenciosamente se estabelecendo como um Drummond, com vulto e pouca ruptura; ou de um Glauco Mattoso, este, sim, tomado pela revolução física – glaucoma – e pela renovação da “fôrma” que vem marcando sua poesia. No mais, temos os sintomas. Queridinhos da mídia, reclusos outsiders e acadêmicos, todos carentes de estrutura, de crítica, de seriedade. Custa-lhes muito para tirar a poesia do caráter de confissões sentimentais e colocá-la como instrumento de revelação existencial, testemunha e agente da sociedade, renovadora do idioma, ressignificadora universal e reestruturadora moral. Para citar apenas alguns aspectos. Tomemos o caso dos Concretistas. Mais que um viés neurótico sustentado numa fraude, foi destes senhores, na década de 1950, o último chacoalhão que os domínios de nossa poesia puderam sofrer. Isso há 50 anos. Isso, porque àquela época, com a geração de 45, os surrealistas, os concretos, M. Faustino já nos alertava para as fraquezas desse panorama. Quem dirá hoje... Para tanto, os Campos, Pignatari e discípulos foram detentores de extenso patrimônio cultural, não só em poesia, atraindo para tal vanguarda o que havia mais novo entre a música – Webern e afins –, as artes plásticas – Minimalismo –, etc. Além de uma rica tradição crítica da Arte e percepção de época. E tudo em caráter mundial. E é justamente aí que acrescentamos o papel da crítica, ao lado da tradução (Pound), que estabelece o estudo e a base teórica para a criação e renovação da arte, esta sustentada no passado como aprendizado, no presente como agente, no futuro como ruptura. Disse Antônio Abujamra a Juca de Oliveira, apresente dez por cento e carregue noventa. Pois desde 1960 ando cansado com a falta de seriedade e com a ingratidão com que vêm sendo tratadas as artes em geral. Isso para não tomá-las como o reflexo de uma Era.
Se estamos burros, desenterrem o Mário, por favor! Fabio
De Riggi cursa jornalismo na Unesp |
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