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Socialismo
para Milionários por F. Fischl
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O instigante título é uma amostra do discurso descompromissado e contraditório que George Bernard Shaw emprega em Socialismo para Milionários. Ao tentar criar um guia de comportamento para o bom milionário, o dramaturgo tece inúmeras críticas a todos e a tudo. Ao mesmo tempo em que alerta a sociedade sobre os graves males que afligem o magnata, ainda aconselha o homem rico a como gastar bem o seu dinheiro. Desta forma, em poucas páginas Shaw passa brevemente por temas de grande importância, levantando inúmeras questões sem chegar a qualquer conclusão relevante. A pergunta é mais importante que a resposta e o tom cômico predomina. É interessante constatar que Shaw foi um dos fundadores e líderes da Sociedade Fabiana, uma espécie de associação socialista que propagava as idéias esquerdistas sob uma ótica pacifista. O nome da sociedade, fundada na Inglaterra em 1884, é referência a Fabiano Máximo, general romano famoso por suas técnicas protelatórias. Talvez seja esta a maior anedota de Shaw, pois a sociedade foi a semente do Partido Trabalhista, que bem ou mal obteve enorme destaque na política inglesa do século XX. Shaw afirma que o homem rico deve gastar bem o seu
dinheiro, pois somente assim será permitido que continue sendo
um milionário. Doações irrestritas a hospitais
e universidades constituem um enorme desperdício, pois “as
dotações a comunidade devem sempre visar a satisfação
não de necessidades, mas de superfluidades.” Aquilo que
as pessoas mais precisam elas devem conseguir por si mesmas, cabe
ao milionário oferecer o que a sociedade deveria desejar, mas
não deseja. Desta forma, investir em museus ou em pesquisas
excêntricas é uma excelente ação. F.
Fischl é Bacharel em Comunicação Audiovisual
pela Universidade Federal de São Carlos |
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